Wednesday, April 25, 2007

Armas e cravos

Às vezes sinto aquela mistura de saudade, frustração e paz estranha a que chamam "nostalgia".

Saudade porque sinto falta, ou sinto apenas necessidade de me lembrar de pessoas, fases, sítios.Como se estivesse a reviver tudo, com uma perspectiva diferente, sem emoções acesas, mais no lugar de expectador do que actor principal. Como tudo muda com a perpectiva...

Frustração porque em todas as situações e pessoas existem mil coisas para explorar, para aproveitar. Porque nem sempre na altura conseguimos atingir a total dimensão das coisas. Nem sempre conseguimos dizer tudo o que gostávamos de transmitir a pessoas que ,entretanto, desaparecem das nossas vidas.Porque quase sempre é tarde e despropositado tentar voltar atrás. Para escrever uma última linha, que esteja à altura das histórias.

Paz pela distância. Aquele semi-esquecimento que nos deixa seguir em frente, encontrar novas coisas, evoluir.... Coisas que foram essenciais na altura, e que agora vemos como apenas um pormenor sem interesse.
A mesma história pode ser lida várias vezes na nossa cabeça. Interpretada de formas diferentes. Podemos exaltar uma acção e camuflar outras.
A tendência é guardar o melhor. Quando já digerimos o pior.
A vida é curta, mas nestas alturas parece demasiado comprida. Demasiado cheia de pessoas, de sítios e de hábitos. Como se a minha vida estivesse dividida em muitos pequenos episódios, em muitas Leonores.

Nada volta atrás, nem o tempo nem as pessoas. Mesmo que voltem atrás, nunca voltam iguais.
Resta a memória, a saudade ou o alívio.

Quando se diz que as pessoas estão sempre a aprender... concordo, mas não acho que seja uma coisa necessariamente boa. Aprender o quê?
A formar defesas? Grande aprendizagem... quem me dera não ter que aprender nada.

Gostava de ver o filme com tudo a que tivesse direito. Com o que ficou por fazer, por dizer, por gritar e por rir. Com tudo o que, lá no fundo, me apetecesse na altura. Essa seria a minha, genuinamente MINHA história.

Mas o mundo não é só meu.

1 Comments:

Blogger Stuck on the Rock said...

Sabes, leo,
não sei se gostavas... eu sei que eu não gostava. O ve-lo assim já é suficientemente complicado, dificil de digerir. E mesmo com conselhos de amiga, e mesmo com tudo o que nos possam dizer, mesmo com as aprendizagens passadas, continuamos por vezes a seguir o mesmo caminho.
Sabes disso. Quando falas, e quando ouço, a coisa treme, faz sentido, por vezes chega mesmo a doer e a fazer mossa. Mas depois, após uma longa digestão, vai para aquele lugar onde tantas outras coisas estão.
Não digo com isto que não seja importante, que não agradeça ou que para nada sirva. Serve, e para muito!
Mas o filme, esse somos nos que o criamos, e ve-lo inteiro faria com que perdesse toda a piada. Perder-se-ia o gozo de olhar para tras e ver que afinal... a coisa não era bem assim!
Gracias!

Thursday, April 26, 2007  

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